
SOFRIMENTO - PRODUTO DE NOSSAS ESCOLHAS
Se observarmos bem, os sofrimentos pelos quais passamos, nada mais são que efeitos. E como todo efeito, tem sempre uma causa anterior. Esta causa não surge à revelia, de forma inesperada ou aleatória a nos surpreender, pelo contrário, representa as escolhas, que nós, seres conscientes do universo, fazemos a cada instante. Isto significa que nós produzimos nossos próprios sofrimentos. Sejam eles físicos, ou psíquicos, serão sempre produtos de nossas escolhas.
Um sofrimento físico de um ser que padece de uma doença respiratória por exemplo, pode ser o efeito da sua opção pelo hábito de fumar. O sofrimento de um homem solitário pode ser o efeito de sua conduta arrogante e prepotente ao longo da vida. O sofrimento de um pai com um filho rebelde, pode ser efeito de sua postura negligente ou omissa no que tange ao seu papel como educador. O sofrimento afetivo de uma mulher casada por interesse financeiro, pode ser efeito dos valores que ela elegeu como prioridade em sua vida.
Considerando as nossas múltiplas existências, esta lista se agiganta. Vemos por exemplo, bebês que já nascem com comprometimentos cardíacos, por terem talvez atentado contra a própria vida, lesando o tecido perispiritual do coração, em vida precedente. Crianças que apresentam sérios problemas hepáticos, possíveis efeitos de lesões perispirituais provocadas por suas escolhas pelo álcool em existência anterior. Deficientes mentais incapazes de exercer seu livre arbítrio, que sofrem talvez pelo mau uso que fizeram de sua elevada capacidade cognitiva em vida pregressa. Mulheres que sofrem por não conseguir engravidar, que possivelmente protagonizaram abortos diversos como escolha pela vaidade numa vida sensual no passado. Cônjuges fieis e dedicados que sofrem 'injustificada' traição como efeito provável de traições cometidas por eles em outras existências.
Isso não significa que os males acima citados venham sempre motivados pelas mesmas causas. As possibilidades são incontáveis. As referências servem apenas como exemplos ilustrativos da lei de causa e efeito. Podemos citar inúmeros casos de aparentes injustiças, mas que permeiam sempre uma ação anterior de nossa própria autoria, ainda que não nos lembremos dela. Não somos vítimas. Se entendemos o Criador como um ser supremo de infinita bondade e inquestionável justiça, entendemos que tudo que ocorre é justo e bom; e compreendemos com clareza que todo sofrimento é sempre produzido por nós mesmos: por nosso comportamento, pela nossa postura, pelo nosso caráter, pela nossa forma de ser e de agir no mundo - pelos passos trilhados por nosso espírito imortal.
Seguindo essa linha de raciocínio, chegamos à conclusão que o sofrimento está correto, lógico, ele é só consequência de uma ação (escolha) anterior. A escolha é que está errada, e por isso gerou sofrimento.
Como explica Milton Menezes: "Tanto os grandes como os pequenos sofrimentos do dia-a dia são expressões dos desequilíbrios internos do psiquismo... Eles sinalizam que algo no interior do indivíduo precisa ser modificado" .
Encarar essa realidade nos faz assumir com maturidade nossa responsabilidade diante da vida. Se algo me fez sofrer, não devo procurar culpados, ou achar que sou vítima, devo me voltar para mim mesmo e procurar onde está o desalinho e o que preciso mudar para deixar de sofrer.
Como a maioria dos sofrimentos, mesmo os compreendidos no âmbito da vida atual, tem raízes inconscientes mais profundas, evidenciamos a importância da TVP, como lenitivo para a dor e para o sofrimento humano.